quarta-feira, julho 26, 2006

O Código da Pálpebra!

Esta história remonta a 1995, mas só hoje é que tive conhecimento dela. E por mero acaso! Estava a ler um romance de David Lodge, quando inesperadamente a heroína da trama faz alusão ao jornal que lia ao pequeno-almoço:

“Um longo artigo no jornal de hoje sobre Jean-Dominique Bauby, um escritor francês, jornalista e editor da revista Elle, de 43 anos, que teve uma espécie de trombose que o deixou num estado chamado «síndrome locked-in
» – consciente, mas incapaz de mexer todos os músculos – excepto um, a pálpebra esquerda, que ele usou para comunicar e, surpreendentemente, ditar um livro sobre a sua experiência”.

Achei a história impressionante… Mas… seria mais um pouco da ficção de Lodge ou haveria
alguma réstia de verdade nesta alusão? Curiosa por natureza, lá foi a puKa pesquisar no Google. E desfizeram-se todas as dúvidas! A história de Bauby é mesmo verdadeira, o francês usou o olho esquerdo para ditar a um amigo letra a letra a sua autobiografia.

E a título de curiosidade, deixo-vos aqui os traços gerais da biografia deste homem persistente, com uma história de vida trágica mas ao mesmo tempo inspiradora.

"Foi em 1995, com 43 anos, que Jean-Dominique Bauby foi atingindo por uma doença rara que o deixou lúcido intelectualmente, mas paralisado por completo, só podendo respirar e comer por meios artificiais e mover o olho esquerdo.

Aparentemente esteve em coma durante quatro semanas, e demorou algum tempo até se aperceberem de que ele tinha recuperado a consciência. Tinham-no diagnosticado como um ser em estado vegetativo. Deve ter sido como estar enterrado vivo, a ouvir as pessoas a falar por cima da sepultura sem nenhuma forma de lhes conseguir captar a atenção.

Bauby servia-se do olho esquerdo para comunicar. Piscava uma vez para dizer sim e duas vezes para dizer não. Até que um dia engendrou com um amigo um sistema mais elaborado para «piscar-lhe» as letras do alfabeto, formando palavras, frases e páginas inteiras. Foi assim que foi escrito
O Escafandro e a Borboleta
: todas as manhãs, durante semanas, decorou as suas páginas antes de ditá-las, depois de as ter corrigido mentalmente durante a noite.

É um testemunho impressionante que foi publicado em Março de 1997, dois dias antes de falecer. E actualmente, decorrem as filmagens de uma longa-metragem sobre esta história!"

3 comentários:

  1. WOOOOOOOW!!! Isto é muito assustador!!!

    Lembrei-me daquelas histórias de pessoas que são sujeitas a operações cirúrgicas e têm consciência de tudo enquanto estão a ser operadas... Ficam paralisadas e, aparentemente, anestesiadas, mas a verdade é que estão a sentir tudo. Baaaaaahhhh!!!

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  2. Realmente fantástico!

    O poder da mente humana continua a impressionar-me...dia após dia.

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  3. É bom saber que há pessoas que se superam.

    A mente é poderosa , tão poderosa que chega mesmo a ser traiçoeira. Quando não nos atraiçoa traz nos o inimaginável.
    Bonita história esta!

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