Nota prévia: Podia colocar aqui imagens chocantes de fetos que são resultado de abortos clandestinos. Não o vou fazer. Quero deixar bem claro que não concordo com esse tipo de abordagem a este assunto.
Aproveito também para esclarecer que esta é uma opinião pessoal e não uma posição oficial do ductos e dos seus restantes membros.
Começo por referir o óbvio: não é fácil para uma mulher tomar uma decisão destas.
Não acredito que alguém tome esta decisão de animo leve e concordo que em algumas circunstâncias esta decisão é compreensível e até aceitável, nomeadamente nos casos já previstos pela actual lei portuguesa (ver
link).
Na minha opinião, a solução para esta questão não passa, de todo, pela total desresponsabilização de um acto que, na esmagadora maioria dos casos, resulta da...falta de responsabilidade.
É esta a mensagem que a nossa sociedade quer transmitir aos jovens que, por sua vez, já são educados a meias pelos "morangos com açúcar"?
Acredito que a solução para tudo isto é evidente: prevenção e educação sexual.
Ambas têm um papel fulcral na resolução desta questão. Infelizmente, temos um Estado que é ladrão, corrupto e ignorante, que acredita que ao despenalizar o aborto, vai resolver todos os problemas.
A verdade, é que vai apenas "tapar o sol com a peneira", porque sem educação sexual e aposta na prevenção, os casos de aborto vão continuar a acontecer (com tendência para aumentarem) ...e já se sabe que é mais fácil mudar uma lei, do que criar estruturas para realmente mudar o estado das coisas. Por exemplo, onde anda a educação sexual nas escolas? À cerca de 10 anos comecei a ouvir falar sobre a implementação destas aulas educacionais nas escolas portuguesas...até hoje, nada!
Num país onde as listas de espera para operações simples são escandalosas e pessoas morrem nos corredores dos hospitais, este governo quer-nos convencer que a liberalização do aborto não vai agravar esta situação. Acho que nem os apoiantes mais radicais do "Sim" acreditam nesta...
É preciso não esquecer que estes casos têm de ser resolvidos impreterivelmente nas primeiras 10 semanas de gravidez. Acham que o Serviço Nacional de Saúde vai ter uma capacidade de resposta adequada ás necessidades das mulheres? Eu acho, ou melhor, tenho a certeza que não.
Por fim, e como este post já vai longo, tenho a dizer que acredito também que vão continuar a existir abortos ilegais neste país. É preciso não esquecer que apesar da liberalização do aborto até ás 10 semanas (2 meses e 2 semanas), o acto de abortar continuará a ser ilegal depois desta data.
Ou seja, as mulheres que o realizarem depois desta data vão continuar a ser acusadas judicialmente. Então o que muda? Já estão a ver o filme, certo?
Deste modo, perante a pergunta a colocar no próximo dia 11 de Fevereiro, «
Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?», eu respondo: "
Não".
Recuso-me veementemente a optar pela solução mais fácil que, na minha opinião, apenas vai criar mais confusão e originar problemas novos!
LINKS ÚTEIS:
"Não": www.assimnao.org/,
www.nao-obrigada.org/"Sim": www.emmovimentopelosim.org/,
www.cidadaniapelosim.org/PS: Se alguém tiver uma posição diferente da minha e estiver interessado(a) em escrever um texto sobre este assunto, publicarei o mesmo aqui no blog com todo o gosto.