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segunda-feira, janeiro 29, 2007

Eu digo Sim


No dia 11 de Fevereiro eu vou votar sim à pergunta «Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?», não porque sou a favor do aborto mas sim, pela liberdade de escolha do cidadão português.

Ok!! Começamos pela educação sexual... falha redeondamente, com irá falhar, passamos para metodos mais agresivos para controlar estas situações, até chegarmos a situações extremas do genero das descritas nos filmes Code 46, Gattaca e Demolition Man(Não se pode fazer sexo sem o controlo de uma entidade). Pessoalmente falando eu não quero isso para mim!!!

Ao não mudar a lei iremos continuar a ter as mesma situações, abortos feitos em clinicas ilegais e sem condições, as mulheres a serem julgadas por terem feito um aborto(apesar de serem condenadas, não cumpreem prisão!! Então porque que são condenadas? São condenadas por a lei assim obriga, mas na conciencia de cada juiz não devem cumprir a pena de prisão!! Então porque manter esta lei desactualizada?), etc., e o que não vai mudar é a mentalidade "sexual" dos portugueses. E porque não é apenas uma questão de mentalidade, e porque existem n factores que transformam qualquer planeamento familiar ou qualquer metodo contraceptivo falivel, sou a favor da escolha. O que cada um escolhe nesta situação, é do seu LIVRE ARBITRIO.

Agora falo como pai de uma linda criança de 6 meses. Quando a minha mulher engravidou nós usavamos metodos contraceptivos e, por varios factores (planeamento familiar, situação economica, situação laboral), não pensavamos ser pais naquela altura. O metodo contraceptivo falhou. O metodo usado tem uma probalbilidade de falhar de 1%, ou seja em cada 100 casos 1 falha. A minha escolha foi ter a minha filha e nem me passou outra coisa pela cabeça, mas isso foi a minha escolha.

Por tudo isto e porque como as coisas estão neste momento não podem ficar assim, eu digo que Sim!!!

Muito mais teria para falar por isso vejam os comentários.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Eu digo "Não"

Nota prévia: Podia colocar aqui imagens chocantes de fetos que são resultado de abortos clandestinos. Não o vou fazer. Quero deixar bem claro que não concordo com esse tipo de abordagem a este assunto.
Aproveito também para esclarecer que esta é uma opinião pessoal e não uma posição oficial do ductos e dos seus restantes membros.




Começo por referir o óbvio: não é fácil para uma mulher tomar uma decisão destas.
Não acredito que alguém tome esta decisão de animo leve e concordo que em algumas circunstâncias esta decisão é compreensível e até aceitável, nomeadamente nos casos já previstos pela actual lei portuguesa (ver link).

Na minha opinião, a solução para esta questão não passa, de todo, pela total desresponsabilização de um acto que, na esmagadora maioria dos casos, resulta da...falta de responsabilidade.
É esta a mensagem que a nossa sociedade quer transmitir aos jovens que, por sua vez, já são educados a meias pelos "morangos com açúcar"?

Acredito que a solução para tudo isto é evidente: prevenção e educação sexual.
Ambas têm um papel fulcral na resolução desta questão. Infelizmente, temos um Estado que é ladrão, corrupto e ignorante, que acredita que ao despenalizar o aborto, vai resolver todos os problemas.

A verdade, é que vai apenas "tapar o sol com a peneira", porque sem educação sexual e aposta na prevenção, os casos de aborto vão continuar a acontecer (com tendência para aumentarem) ...e já se sabe que é mais fácil mudar uma lei, do que criar estruturas para realmente mudar o estado das coisas. Por exemplo, onde anda a educação sexual nas escolas? À cerca de 10 anos comecei a ouvir falar sobre a implementação destas aulas educacionais nas escolas portuguesas...até hoje, nada!

Num país onde as listas de espera para operações simples são escandalosas e pessoas morrem nos corredores dos hospitais, este governo quer-nos convencer que a liberalização do aborto não vai agravar esta situação. Acho que nem os apoiantes mais radicais do "Sim" acreditam nesta...
É preciso não esquecer que estes casos têm de ser resolvidos impreterivelmente nas primeiras 10 semanas de gravidez. Acham que o Serviço Nacional de Saúde vai ter uma capacidade de resposta adequada ás necessidades das mulheres? Eu acho, ou melhor, tenho a certeza que não.

Por fim, e como este post já vai longo, tenho a dizer que acredito também que vão continuar a existir abortos ilegais neste país. É preciso não esquecer que apesar da liberalização do aborto até ás 10 semanas (2 meses e 2 semanas), o acto de abortar continuará a ser ilegal depois desta data. Ou seja, as mulheres que o realizarem depois desta data vão continuar a ser acusadas judicialmente. Então o que muda? Já estão a ver o filme, certo?

Deste modo, perante a pergunta a colocar no próximo dia 11 de Fevereiro, «Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?», eu respondo: "Não".
Recuso-me veementemente a optar pela solução mais fácil que, na minha opinião, apenas vai criar mais confusão e originar problemas novos!


LINKS ÚTEIS:

"Não": www.assimnao.org/, www.nao-obrigada.org/
"Sim": www.emmovimentopelosim.org/, www.cidadaniapelosim.org/

PS: Se alguém tiver uma posição diferente da minha e estiver interessado(a) em escrever um texto sobre este assunto, publicarei o mesmo aqui no blog com todo o gosto.